CARTA PARA CISSA GUIMARÃES

CARTA PARA CISSA GUIMARÃES


Christiane Souza Yared*

Querida mãe,

O que dizer nesta hora tão difícil? O que ouvir quando todos e tudo ao redor parecem sair de um enorme pesadelo e o ruído das vozes que se seguem mal chegam aos ouvidos?

Quando o ar não é mais suficiente e a dor da separação nos leva a sala de parto novamente?

Os dias que se seguirão, parecerão noites e as noites, dias sem fins.

Para cada momento uma lembrança e a ferida que não cicatriza, parece ainda mais exposta e vulnerável com o passar do tempo, dizem que o tempo é o melhor remédio, creia amada ele é amargo demais.

Só há um lugar para onde ir, este refúgio que encontrei tenho tentado ensinar o caminho a outras mães, pois sei que o que nos foi tirado,nosso bem maior, o pequeno ser que embalamos, amamentamos, cuidamos e amamos, nada poderá trazê-los de volta, sei que se chorássemos todas as lágrimas e gritássemos todos os gritos de dor que estão contidos em nossas almas, mesmo assim não seriam suficientes para trazê-los.

No primeiro momento tentamos achar o culpado, o rapaz que dirigia estava em alta velocidade. Certamente foi ele, mas e Deus?

Onde estava Deus que não viu o meu lindo moço de cabelos fartos e sorriso encantador, que envolvia todos com suas histórias deixando no ar a sensação de ficar após ter ido?

Porque Deus não fez algo?

Querida mãe, a primeira lição que aprendi, foi entender que Deus me amou e sua misericórdia resgatou meu filho no momento de dor.

Se há um lugar perfeito, onde deixaríamos nossos filhos este é nos braços do Pai.

Deus não interfere. Nos deu um mundo para nele vivermos em harmonia e se existe um culpado, infelizmente somos nós!

Aceitamos todas as coisas e só nos importamos quando é o NOSSO filho.

Esta nação está ferida e ferida de morte, o sangue de inocentes está literalmente lavando o asfalto de nossas cidades.

Será necessário morrer um filho de cada família para que algo seja feito?

Nossos jovens estão sendo arrancados de seus lares e suas famílias estão dilaceradas com tamanha dor, o medo nos invade, pois os que nos restam ainda precisam viver neste país sem leis para assassinos de trânsito. Até quando???

Não terá apenas um deputado que se importe e leve ao congresso as mães que perderam seus filhos nesta guerra horrenda e injusta?

Faltará espaço em Brasília, será maior que qualquer congresso já realizado. Nós somos as mães que prepararam seus filhos para servir a nação!

Meu filho falava quatro línguas, tinha duas faculdades, não usava drogas, não era chegado a bebidas, sempre usou o cinto de segurança, foi morto por um jovem deputado que estava em alta velocidade, embriagado e com a carteira com mais de 130 pontos. Foi decapitado, estraçalhado, moído, não matou apenas meu filho e seu amigo, matou a mim também.

Ensina a criança no caminho em que deve andar e até ficar velho não se desviará dele.

Não podemos apenas chorar, temos que nos unir e de alguma forma mudar o país em que vivemos, para que os outros filhos, os que nos restam, possam ter a oportunidade de viver.

Meu refúgio é Deus, meu porto seguro, minha esperança de rever meu amado.

Se Deus salvasse o seu e não o meu então seria um Deus injusto!

Se precisamos mudar e algo precisa ser feito, então faremos para que outras mães, não venham a sofrer a amargura da separação tão precoce de

jovens que antes enchiam a casa de alegria, e agora enchem cemitérios.

Querida mãe, sei que parece impossível mudar um país, mas também sei que um país é feito de famílias que desejam o melhor para seus filhos.

Um pai sonha os sonhos de seu filho desde quando nasce e vive como se fossem seus.

Se é triste e inconsolável a dor da perda de um filho, muito maior será nossa dor se não fizermos nada e perdermos novamente, e creia eu sei do que falo.

‘Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco’

Se cada mãe, pai, família, cada cidadão fizer um pouco, teremos muito!

A justiça é para os vivos, os mortos não precisam dela!

E a nação ouvirá o nosso clamor.

Christiane Souza Yared*

Mãe do jovem morto pelo deputado de Guarapuava.


Essa carta está circulando pela Internet recebi por e-mail, e coloquei-me a pensar:
-Se existem leis de transito e existe um código penal, porque alguns não são punidos pelas suas escolhas? Escolhas estas que tolhem o livre arbítrio de outros. Parto de um principio básico. Se a pessoa para ter a carteira de habilitação (que para alguns parece mais um porte de arma) precisa fazer o teste escrito, que além de ser sobre as leis tem também algumas perguntas sobre conhecimento de mecânica a nível de usuário. Esse individuo, ao desrespeitar as lei, e interferir na vida de outra pessoa, ele é um criminoso. Precisamos no ater não só a pessoa que cometeu o ato de desrespeito a lei, mas também a sua família que tentou encobrir o que seu filho fez. Em ambos os casos, (família Yared e o do filho da Cissa) os pais protegeram os filhos. Será realmente essa uma proteção? O que é o correto posicionamento da família nesta hora? Eu acredito que o correto a fazer, seria deixar que esse individuo que ciente de suas limitações (no caso do Yared o deputado estava alcoolizado), e ainda assim teimou em pegar no volante de seu veículo, fosse punido pelo seu ato como qualquer cidadão comum o seria. E você, o que acredita? Teria coragem de deixar seu filho a mercê da Lei?
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