O melhor presente para seu filho pode ser a “falta” ((Leonardo Ferrari))

O Natal está chegando e com ele uma preocupação: qual o melhor presente você pode dar ao seu filho? Como pais amorosos sempre queremos ofertar algo muito bom o que, nesta época de crise econômica, pode nos levar a sacrifícios financeiros ou ao stress. Se você quer mesmo ajudar seu filho a ser bem sucedido na vida, aqui vai uma novidade tão antiga quanto a humanidade: a criança, o ser humano é estimulado pela “falta”. O importante não é o que recebemos, mas o que não ganhamos. O desejo nasce da falta. Desejamos aquilo que não temos, aquilo que não somos. É isso que nos leva a estudar mais, a trabalhar mais, a amar mais.



É a falta que tem impulsionado os imigrantes a construírem uma nova vida em terras estranhas. Basta pensar um pouco em nossos pais, avós e bisavós. Quantos não vieram de tão longe, que força interior os movia? O que os motivava? Perceberam que na situação em que estavam faltava alguma coisa, por isso sonharam e trabalharam por uma vida melhor. Onde tudo está bem não há mudança, não há crescimento, não há progresso. Uma estatística norte-americana, por exemplo, mostra que os filhos de imigrantes orientais tiram melhores notas na escola que os filhos de americanos.



A história está cheia de exemplos que comprovam isso. Um deles é este: ele foi um home que aos 21 anos de idade faliu. Seus negócios acabaram ruíram. Não soube gerenciar, não soube delegar, não soube fazer contas de somar, subtrair, dividir e multiplicar. Enfim, revelou-se um fracasso empresarial. Um verdadeiro anticaso gerencial. Um ano depois, com 22 anos resolveu entrar para a política e perdeu uma eleição local. Confiou demais nos marqueteiros da campanha, teve conversas “grampeadas” e divulgadas, enfim, uma desgraça ! Aos 26 anos se apaixonou. Tinha decidido que precisava se casar, sentia vontade muito grande de constituir uma família. Porém, algo terrível aconteceu: a garota de seus sonhos morreu. Diante desses três fracassos reagiu como qualquer um de nós: sofreu um devastador esgotamento nervoso. Teve síndrome do pânico, teve angustia, teve insônia, teve úlcera, teve tudo de mal que pode sobrevir a um homem desesperado. Passou dez anos de sua vida comendo o pão que o diabo amassou.



Com 36 anos de idade resolveu retornar a política, um pouco mais sábio e com mais vontade de ganhar. Agora a coisa ia em frente. Não foi. Perdeu a eleição para a Câmara. Levou oito anos se recuperando deste novo fracasso. Passava os dias estudando como reverter essa situação. Quando fez seu aniversário de 45 anos, ganhou de presente uma nova derrota: havia perdido a eleição para o Senado. Não esmoreceu. Seus dez anos de dificuldades haviam lhe ensinado algo muito valioso. Tentou novamente e novamente perdeu. Mas ao completar 52 anos de idade foi eleito presidente dos Estados unidos. Seu nome Abraham Lincoln.



O que fez esse homem persistir? O que o motivava? A falta, a incompletude, a perda. É isso que está por trás de cada obra de arte, de cada best-seller, de cada empresário bem sucedido. Dostoievski só conseguiu escrever sob caótica situação financeira; Beethoven compôs a Nona Sinfonia sem escutar; Stephen Hawking mentalizou o buraco negro sem poder se mover; Onassis começou a vida como office-boy; Assis Chateaubriand saiu do sertão para construir a primeira grande rede de televisão nacional.



O que fazia estes homens irem adiante? A falta, a incompletude, a perda. Se você deseja que seu filho seja alguém na vida, tenha sucesso, seja feliz, o melhor que você pode lhe dar é a falta. É isso que vai estimulá-lo a conseguir as coisas.



Ao contrario, se você enchê-lo de presentes, de dinheiro, de tudo, o que o impulsionará a ir em frente? Por que lutar se ele está bem, está completo? A pior coisa que um pai pode fazer por seu filho é lhe dar tudo. Isto cria adolescentes entediados, sem interesse, sem garra. Às vezes até marginais.



Viva este Natal diferente. Se você não está em condições financeiras de comprar um presente caro a seu filho, não se endivide, não se estresse. Vai ser muito proveitoso para ele não receber o que deseja. Se, por outro lado, você pode dar tudo a seu filho, tente deixar alguma coisa, ou tudo, faltando e com isso crie um rebuliço, uma revolução. A revolta pode ser boa de vez em quando. .........Você tem medo de pensarem que você não ama mais só por que agora mostra seu amor de outro jeito? Se você está querendo conversar em vez de só beber, comer e abrir presentes, se você realmente se preocupa com o futuro da sua família, dê a falta ao seu filho. A vida dele vai, certamente, lhe agradecer muito por isso.



((Leonardo Ferrari, psicanalista   -   http://leoferrari08.blogspot.com/))



Esse texto foi publicado no Jornal Gazeta do Povo em algum dia antes do Natal de 1998, momento em que eu discutia com minhas irmãs, que são madrinhas de minha filha, justamente sobre como seriam os “presentes” que eu gostaria que elas dessem a minha filha – enquanto elas diziam que dariam “tudo” o que a afilhada pedisse, eu como mãe não queria, pensava que os “presentes” fazem parte da educação. E pelo texto encontrei mais alguém (com formação em área respeitável) que pensava como eu, no ato recortei e mostrei a elas o embasamento para toda a discussão que tivemos e elas concordaram....ontem encontrei em meio a um livro este recorte sem data, o li e vi que ainda se enquadra perfeitamente...por esse motivo o coloquei aqui para dividi-lo com vocês.

PS.: só retirei 1 linha do texto, onde ele citava alguns presentes que não fazem mais parte do imaginário infantil, o restante fui fiel ao texto.

E você, já pensou em qual presente vai dar ao "seu" filho????????
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5 pessoas me fizeram feliz, falta só você:

Nárriman publicou o comentário número:

Ei amiga, estou na área de novo!!
Que texto hein??? Me fez refletir bastante!!! Vou arquivá-lo e passar para frente. Obrigada por compartilhar!
Bjk

Outro Ofício publicou o comentário número:

Oi Adelaide!
Belo texto! Adoramos!
Obrigada por sua presença constante e os elogios lá no nosso blog.
Um abração!!
Marcia e Eliane

Adriana Alencar publicou o comentário número:

Que texto maravilhoso, vou repassar para todas amigas e guardar para refletir em cada Natal. Sempre queremos o melhor para nossos filhos e podemos até influenciar negativamente a sua personalidade com isso, é bom contarmos com alertas como esses para voltarmos aos eixos certos.
Bj
Adri

Paula publicou o comentário número:

what a great blog! here is so many inspiration!

have a nice time,
Paula

Viviane publicou o comentário número:

Oi Adelaide,
que texto ótimo! Dá pra refletir bastante e acho muito válido a posição do autor. Obrigada!
Beijos!!!



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