A forma de falar..

Aprendi cedo, com meu pai, a conviver com palavras difíceis e com a forma de falar mais pomposa, sim é verdade que não as uso no dia-a-dia por motivos óbvios (a maioria dos interlocutores não saberiam do que falo...rsrs).
No dia 06/04 uma irmã de Papai, encerrou sua jornada física nesta dimensão. Eu não fui em sua despedida, pois a mesma ocorreu à 480km de distância. Mas fiz daqui o meu momento de reflexão sobre nosso relacionamento e lembrei-me de algumas passagens divertidas que quero dividir com você.

Quando eu aos 16 anos, preparava-me para mudar para a Capital, para trabalhar e assim conseguir aliviar um pouco as despesas da casa. Fui até a residência de meus avós para desperdir-me....Minha tia chamou-me a uma sala reservada e teve uma conversa séria comigo, começou com:
- "Minha filha, cuide para não levar o nome da família para a lama." (se falar isso para um adolescente hoje, eles vão achar que é o mesmo que pegar o cartão de visitas do pai e jogar no bueiro...rsrs)

Quando Papai faleceu, estive na cidade com o rapaz que futuramente seria meu marido. Lá fomos nós, eu e minha tia para nossa segunda conversa séria, perguntas que ela me fez:
-"Querida de que famíla é o rapaz?" (gente e se eu só soubesse o primeiro nome, ou só o apelido???)
-"Ele é formado em quê?" (sorte que ele tinha começado a faculdade de contábeis...que veio a não concluir, e posteriormente fez administração, mas especialização...bláblá...coisas de titia)
Talvez você não estranhe estas frases, eu na época não estranhei estava acostumada a isto, mas agora vou te dar um cenário: imagine uma casa enorme de madeira, com móveis antigos, cozinha com fogão à lenha a pleno vapor o dia todo, o sofá da sala todo puído, mas titia estava perfumada maquiada e sentada com postura invejavel.
Na época achei interessante a preocupação dela (ainda mais dada a nossa situação financeira...rsrs - sim pois ela poderia querer pedir um dote ao pretendente...rsrs), e hoje me divirto por lembrar da cena completa (incluisive o cenário) sim, essa cena é comum até hoje em novelas, nas famílias da "Alta" sociedade, e ainda assim pela personagem mais esnobe.
Eu até hoje falo por vezes esse idioma esnobe, que na sequencia minha filha traduz para o vocábulo chulo da atualidade. Outras vezes minha filha sai com uma "pérola" e sou eu quem traduzo....rsrs E assim mantemos vivo o diálogo pomposo e bonito, que hoje é deveras desnecessário.
Como minha família era bem conhecida na cidade de 17.000 habitantes, eu costumo dizer que venho de família tradicional da cidade. E pasme quanto mais brinco com o fato, mais o nome de minha família aparece em conversas por vezes com pessoas que nunca vi antes, em cada cidade que passamos sempre tem alguem que conhece alguém da "minha" família.
Gosto pelo lado pomposo e acho horrivel pelo simples fato de nunca viver o anonimato. Logo, você deve estar pensando: Uau! a mulher é filha, prima ou irmã de alguém famoso....não sou apenas alguem que nasceu e cresceu em uma cidade de interior, em uma família que adorava ler. E que gostava de conversar, e auxiliar o próximo com os conhecimentos adquiridos. Certo, temos o lado negro e sem glamour (mas  vou falar apenas das amenidades... hoje só o que é lindo).
Resultado: todos são conhecidos na cidade inteira e até fora dela.
E você me conta, tem glamour em suas lembranças?Sua adolescêcia foi bem vivida, ou você apenas sobreviveu a ela e deu graças ao Criador quando passou vivo por ela...rsrs?

Obrigada por sua presença! Você me faz muito mais Feliz!
Abraços



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10 pessoas me fizeram feliz, falta só você:

RENATA REIS publicou o comentário número:

OI AMIGA, TAMBEM TENHO VARIAS LEMBRANÇAS E HISTORIAS DE FAMILIA, QUALQUER HORA TE CONTO. AH, SE VIU ???GANHEI!!!!O MEU PRIMEIRO SORTEIO, ESTOU MUITO FELIZ!!!!BEIJOS, TENHA UM LINDO DIA!!!!

C. publicou o comentário número:

Eu nao gosto de descrever o curriculum, prefiro um "eu nao sou nada", a ter que ser a tradicional isso ou aquilo.
Textos rebuscados também nao gosto. O que nao quer dizer que quem está escrevendo nao saiba as palavras rebuscadas. Eu gosto de pisar em flores e sentir o aroma, de leve, sem me preocupar de quem é o jardim...
Glamour mesmo, eu acho que o mais real é aquele que você citou aqui embaixo, o que tem em Londres, ainda.

janeladesonho.blogspot publicou o comentário número:

Oi querida ...
entendi o quanto vc buscou na memória uma forma de homenagear sua tia , isso é lindo , e com certeza ela o recebe como flores ... bjimmm iluminado

Vi por aí... publicou o comentário número:

Ei Adelaide...
Fico feliz que tenha gostado do Ví por ai...Gostaria de lhe dizer que já sou sua seguidora e que sempre me encontrarás por aqui, me deliciando com seus belíssimos posts!!!!
Adorei a forma que vc escreve...
Coisa de "profissa" (como se diz hoje em dia por aí)rs...
Menina, seu post veio a acalhar...
Este fim de semana, estive na minha cidade natal, visitando avós e tias...
Todo o seu post, me pareceu tão particular e ao mesmo tempo pessoal, para mim!
Sou da década de 80, também sou de família "tradicional" e posso dizer que passei por algumas experiências parecidas com essa que vc passou E AGRADEÇO!!!
Agradeço aos ensinamentos de meus pais...às preocupações de meus tios...aos zelos de meus avós...
Sou e serei eternamente grata.
Fico triste quando vejo que muitos adolescentes hodiernamente (há exceções, é claro) vagam por aí "sem lenço e sem documento", se achando verdadeiros "senhores de si"...
Como diriam meus avós: "Se 'fiam" em quê??????"
*fiam = confiam
rs...
Sou feliz por ter sido uma garota de família.rs

Ah, tenho um episódio para "partilhar"...
Lembro que certa vez, na escola, eu estava conversando com uma amiga e distraidamente peguei uma caneta tipo pitolo e comecei a escrever na parede (que feio!!!!) e enquanto minha amiga falava eu fazia ali alguns rabiscos na pilstra... Veio a Diretora...parou ao meu lado..olhou para mim e disse: Mas você??????????
Me levou para sala dela, é óbvio...
Ao chegar em casa, minha mãe esbravejava comigo e dizia: O que a Diretora vai pensar...que eu não lhe dei educação?????kkkkkkkkk
A ´preocupação dela era esta, o que a mulher ia pensar de mim, conhecendo-a tão bem...
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Já pensou se tudo fosse como dantes no castelo de Abrantes?????
kkkkkkkkkkkkkk

martinha publicou o comentário número:

Olá Adelaide, tud bem??? Sua filha é linda!!! E muito meiga também. Parabéns pela homenagem a sua tia,eu também tenho muito orgulho da minha família e das minhas lembranças, beijo e té+:-)

Em Busca de Mim publicou o comentário número:

Oi Adelaide,
Obrigada pelo carinho!
Boa semana pra você!

Beijinhos,
Vanessa Scharamm

Em Busca de Mim publicou o comentário número:

Oi Adelaide,
Obrigada pelo carinho!
Boa semana pra você!

Beijinhos,
Vanessa Scharamm

Em Busca de Mim publicou o comentário número:

Oi Adelaide,
Obrigada pelo carinho!
Boa semana pra você!

Beijinhos,
Vanessa Scharamm

Em Busca de Mim publicou o comentário número:

Oi Adelaide,
Obrigada pelo carinho!
Boa semana pra você!

Beijinhos,
Vanessa Scharamm

Josy publicou o comentário número:

Adelaide querida, eu sou bemmmmm mais velha que vc, portanto posso te afirmar que tbém vivi isso, minha mãe, assim que eu arrumava um namorado novo, queria saber da familia, do sobrenome, do individuo que eu mal acabei de conhecer..coisas de mães e tias.. Adorei seu post....bjocs



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