Adoção e grande felicidade

Não consigo falar de adoção, sem citar antes a iniciativa que a Rita tem no Blog Botõezinhos, (aceita por várias blogueiras disciplinadas - eu não participo ainda por falta de disciplina...rsrs) tem de postar nas sexta-feiras sobre pequenas felicidades que vivenciou durante a semana. Acho isso tão importante, pois vejo as pessoas reclamarem tanto, mas não param para ver o quanto tiveram bençãos em suas vidas.  




Sou iluminada, justamente por valorizar meus momentos felizes. E uma das grandes felicidades que tive na minha infância em cidade de interior, foi de conviver com uma família linda, o casal eram "Pai/Mãe de Santo"  de um terreiro de Umbanda ("seo" Baiano e dona Maria), estudei com um filho deles, e frequentei algumas vezes a casa deles - eram verdadeiros exemplos de vida.

Lembro-me que, em minha cidade nunca via crianças de rua - uma vez questionei minha mãe sobre isso e ela me explicou que quando aparecia, o casal logo adotava, não importava cor, idade, nada.  A maioria, eles adotaram já grandes - tinham consciência de que estavam tendo a oportunidade de ter uma família que lhes daria educação e amor.

Pelo que eu me lembro, eram 21 filhos, sendo que só 4 ela gerou, os outros vieram pelas mãos de Deus, conviver em harmonia junto aquela família. Lembro que as festas de aniversário eram lindas, divertidas - bolo feito em casa, cachorro-quente e suco. Eu e mais 3 amigos do colégio e o restante só a família, enorme, simples e muito alegre. 

Em minha vida convivi com Vários seres iluminados por este ato de amor:
- Tios, que desejavam muito ter filhos, mas ela não engravidava de jeito nenhum. Então, uma menina foi deixada no hospital da cidade e eles se manifestaram (naquela época não sei como era o processo, mas não era essa coisa demorada de hoje em dia), e conseguiram adota-la, passou uns 3 anos ela engravidou - resumo da história eles são em 3 irmãos, mas a primeira é a mais parecida com eles fisicamente e emocionalmente.

- Uma sobrinha linda, que foi muito desejada por seus pais por anos e anos, e quando ela chegou até eles foi uma verdadeira festa, não apenas do casal mas de todos os tios, primos e avós. Sabe o mais interessante, foi quando a avó dela a descreveu para mim falou:
-Ela é da tua cor e a tua cara. 

Uma amiga adotou dois meninos, num intervalo de 6 anos (isso faz décadas), simplesmente quando a chamaram e falaram que tinham a criança e se ela ainda estivesse interessada teria que ir até lá conhecer, ela chorava e falava que não importava era dela. Os meninos são muito parecidos entre si, e são geneticamente parecidos com a avó materna. Nem minha amiga é tão parecida com a mãe dela, como são seus filhos. E veja ela não havia pedido para ser menino, loirinho e recém nascido. Ela apenas queria um filho.

Aprendi com todos eles que temos a capacidade de amar, mesmo que não seja gerado por nós, aprendi que filho não escolhemos, Deus os envia até nós. Cresci decidida a não engravidar, iria adotar - afinal amor eu tinha, e no mundo tinham crianças demais precisando dele (gente como esse pensamento ao ser manifestado deixava as pessoas, com quem convivia, revoltadas - era como se eu estivesse negando ao mundo a chance de receber a prole que seria o sustentáculo da humanidade). 

Mais um dia eu (apensar de todos os cuidados) me vi gravida de 4 meses e adotei minha barriga, mas sempre deixo bem claro, que não existe em minha concepção, filho da barriga e filho do coração - ambos vem do mesmo lugar, são essências divinas, presentes que vem até nós para nos ensinar a viveer mais e melhor e que também aprendem muito conosco. 

Acredito do fundo de meu coração que (antes de nascer), nós escolhemos o núcleo onde viremos e com o qual conviveremos. Crianças que estão para a adoção, não foram abandonadas, elas foram geradas por alguém que foi apenas o veículo para traze-lo ao mundo, e estão a espera da família a qual pertencem, para que ao se encontrarem possam viver uma linda história de doação e amor.

Diante de todas estas histórias que te contei eu quero frisar que (para mim),  genética é o que há! (de misterioso)

Não importa a distância genética, mesmo na adoção encontramos seres parecidos, nossa essência não muda. Quando existe amor, tudo é possível. 

Ah! E se você está na dúvida quanto a adotar um branquinho, amarelinho, marronzinho. Lembre-se do seguinte: Eu nasci de um casal multi racial (papai - negro, indio e portugues / mamãe- portugues e italiano), sendo assim somos totalmente parecidos, mas somos um de cada cor. Minha irmã mais velha é branca (cor da mãe), meu irmão é negro (cor do pai), eu sou parda (mas todo mundo acha que sou japa...rsrs) e a caçula é intermediaria (mas se acredita branca...rsrs), aí eu te pergunto:

- Não é estranho que a maioria dos casais queira criança recém nascida e branca, quando na vida real, se fosse filhos biológicos talvez nascesse com a cor de pele de algum parente distante?

Este post é uma proposta da Dani Pivatelli do Blog Versos etc. Quer ver mais experiências e pensamentos sobre esse assunto clica aqui e visita a Dani, lá tem várias amigas que estão falando sobre isso.


Muita Luz e Paz
Abraços

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10 pessoas me fizeram feliz, falta só você:

Mayara publicou o comentário número:

Oi Adelaide, que texto lindo e emocionante! Meu irmão mais novo é adotado, e nós lidamos com isso com a maior naturalidade do mundo: não sei, acho que já comentei com você, mas depois de quatro cesárias de meninas, minha mãe ainda queria um menino, e o adotou sem nunca ter visto. Um dia ligaram do fórum, uma conhecida, dizendo que tinha lá um menininho para adoção, de três anos: desde então nosso "neguinho" está lá, na nossa vida, no coração e em tudo mais. E o amor não tem nada de diferente, é incrível. Claro que nós tivemos que ouvir muita bobagem: minha mãe até hoje olha meio torto para uma parente distante que disse que ela não sabia quem era a família, que ele podia virar bandido. Gosto da ideia de poder mostrar para as pessoas que adoção não é nenhum bixo de sete cabeças, parabéns! :)

Imac by Artes publicou o comentário número:

Lindos e emocionantes depoimentos de adoção. Existem muitas crianças que precisam de um lar e de proteção...
Abraços! Um final de semana abençoado pra ti.

luci publicou o comentário número:

Que lindo texto,tem muitos casais querendo adotar mais a maioria só querem bebês e os maiores acaba ficando nos orfanatos sem família,bom final de semana para você beijos

She publicou o comentário número:

Nem sabia que estava rolando coletiva hoje sobre esse assunto tão lindo, acabei fazendo um post tb por conta da data! Gesto cheio de amor e de responsabilidade!
Beijo, beijo e tenha um lindo final de semana!
She

Ana Cristina publicou o comentário número:

Olá Adelaide, obrigada pela visita e pelas palavras de carinho, linda a blogagem, muitas histórias maravilhosas,e viva as diferenças que nos fazem tão iguais. Beijos!!!!

Josy publicou o comentário número:

Que lindo texto Adelaide, emocionante, e concordo com voce, filho é uma benção, seja como for enviado por Deus. É uma pena que tenha tanta burocracia, e infelizmente as pessoas ainda procuram bebês loirinhos de olhos azuis. Adorei seu post, lindo demais. Parabéns. Bjos ótimo final de semana

Aaliyahrj publicou o comentário número:

Passando rapinho para te desejar um final de semana de paz e luz!
Bjoks mil

Cíntia publicou o comentário número:

Parabéns pelo texto amiga, muito emocionante.Adorei o relato do casal que adotou 17 filhos!Eu tbm sou de uma família multirracial e agradeço a Deus por essa benção.Tenha um ótimo domingo,beijinhos.

Luma Rosa publicou o comentário número:

Grandes exemplos! Pessoas como as que citou, amam a humanidade! E se mais exemplos existissem e mais pessoas os acatassem não existiriam tantas crianças abandonadas ou mesmo adultos abandonados. Quando saio à rua, fico bestificada com a condição humana, principalmente gente idosa morando na rua.
Também não tenho disciplina para dia disso ou dia daquilo. Tentei acompanhar a dieta coletiva e não consegui. Agora pequenas felicidades? Ah, para você ter uma ideia, só hoje estou visitando os participantes da coletiva "Adoção". Eu tardo, mas não falho!! :)
Beijus,

Lílian Almeida publicou o comentário número:

Adelaide, vc. definiu muitissimo bem a questão da asoção, amei suas histórias e suas colocações, que exemplo o dessa mulher , hein .De tirar o chapéu! Creio que as maiores afinidades são as da alma, o coração cria laços tão fortes quanto o dna .
Passando pra desejar uma semana cheia de coisas boas , e muita paz no coração !
http://casascoisaseoutros.blogspot.com.br/



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