A vida, vivida em ondas

Tudo na minha vida vem em ondas. "Tipo assim", nada vem sozinho. Se tem problema na parte elétrica sempre são 3 ou 4 que precisam de reparo. 

Se alguém adoece, pode saber que em breve tem mais 1 ou 2. Mas quando morre, meu companheiro, queria eu que fosse apenas 1 por décadas. Mas aqui ningué quer ir sozinho.

Faz um tempo que ao olhar para trás (coisa que não faço frequentemente - devido a fatos não tão bons de lembrar) percebi que ao longo de 10 anos, 10 pessoas de nosso círculo se foram para a outra dimensão. 

Então entramos numa fase de calmaria.

Faz algum tempo meu tio (cunhado de minha mãe) adoeceu e com o passar do tempo está cada dia com um novo tratamento (minha madrinha - filha dele sofre muito pelo medo da perda). Minha mãe caiu em 2011 e quebrou o fêmur, enquanto estava imobilizada, a irmã mais velha dela morreu (após cirurgia similar a que Mamãe fez) e 30 dias depois o irmão mais velho que estava convalescente a alguns anos. 

Passados 2 meses, minha mãe começou a apresentar alguns eventos sinistros. Na sequência a irmã dela (mãe da minha madrinha) precisou fazer uma cirurgia para retirada de parte do lóbulo da orelha, motivo: câncer de pele.

Vivemos num entra e sai de clinica e hospital, ou um confortando o outro nem que seja apenas por telefone. 

Os exames de minha mãe sempre deram ótimos, mas ela já apresentou mais de uma vez os tais eventos. Na última consulta o neuro medicou para AVC (micro AVC). E assim vamos levando e observando se volta a ocorrer. 

Ou seja estamos mais relaxados, tranquilos... quer dizer "estávamos".

Na semana passada meu sobrinho contou que minha sogra teve um AVC e precisou ir ao cardio, até aí tudo bem. Mas quando deu o segundo, decidimos que iríamos até lá. Afinal a presença dos filhos ajuda na recuperação (tá eu sei que não é a cura, mas quando nos sentimos amados nos fortalecemos). 
Chegamos lá (480km de viagem), ela ainda convalescente, mas bem. Conversamos um pouco e na sequência soubemos que o pai da cunhada, fez a passagem e estava sendo velado durante aquele dia (e noite). Lá fomos nós dar um abraço e carinho para fortalecer a família.

Meu sobrinho ficou encarregado de escrever o epitáfio, e eu o ajudei (minha primeira experiência nesta área) Pensei em quanto seria legal que as pessoas escrevessem e falassem mais o quanto amam sem que fosse na despedida. 

Sabe que nos aniversários ao invés do "Parabéns!" fosse algo mais pessoal.

Bem essa história toda é para contar que eu estou muito feliz e agradecida por nestas horas contar com a família.

Não pense você que a reunião da minha família, ou da família do marido é algo harmonico. Pois não é....  

É um evento barulhento onde cada um expõem sua verdade, mas no final o que vale é que estamos no mesmo lado. 

Estamos tentando proteger, mimar e amar. 
Cada um a sua maneira.

Preciso ressaltar que entre mortos e doentes, estamos todos bem. 
E o mais importante...

Estou feliz!
Amo viver
Amo poder contar com pessoas queridas ao meu redor.


Muita Luz e Paz
Abraços
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4 pessoas me fizeram feliz, falta só você:

Juni Biscuit publicou o comentário número:

Oi Adelaide,

Também estou passando por um momento de transição, perdemos a mãe do meu marido por conta de um aneurisma hemorrágico, provocando um acidente vascular cerebral. Não faz nem um mês, ainda estamos abalados, pois foi muito de repente. Entendo bem o que você está passando.
Fé em Deus e coragem, porque Ele jamais desampara seus filhos.
Beijos.

Fazendo arte publicou o comentário número:

Que os maus eventos parem por aqui, Adelaide!! Como dizem: desgraça é covarde, vem sempre em bando, né?
Bjos e muita força, Lu

Patricia Helena publicou o comentário número:

Comigo tudo acontece ao mesmo tempo, já deu pra notar? Mas quanto a mortes, a família já foi bem reduzida.
Sua sogra está melhor?
Bjs.



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