Morte, passagem, libertação....

Quando a sensação de perda, saudade ou dor, ao saber da morte de um ente querido, é substituido pela sensação de gratidão à Deus em permitir que a pessoa se liberte da vida que não lhe é mais prazerosa, e sim um peso. 

Começam os questionamentos oportunos ou não, ações que vista por outros talvez não seja "respeitável" mas de coração é a que parece mais coerente. Vou explicar. 

Durante uma vida convivi de perto com meus tios, eles tinham 3 filhos que estavam morando na capital para fazer faculdade, então minha tia me acolhia sempre, era só alguém brigar comigo em casa que eu fazia as malas e me mudava para a casa deles, cheguei a morar 3 meses direto com eles. Minha tia sempre autoritária e ambos sempre disciplinadores. 

Meu tio que durante toda sua vida foi ativo, dinâmico e dono de uma jovialidade única, com o passar dos anos, conforme a idade foi avançando, teve diversos problemas pulmonares (era fumante) e junto com outras doenças, apareceu o alzheimer, a fraqueza muscular e com isso a limitação de movimentos, a dependência de outras pessoas para fazer coisas simples como cuidar da higiene, e a locomoção apenas em cadeira de rodas. Fazem alguns anos que eu não o via. 

Quando recebi a noticia de que ele tinha mudado de dimensão, a única coisa que realmente senti foi gratidão por saber que ele estava liberto de todas as amarras que o aprisionavam. Abri meu melhor vinho e brindei a ele, que sempre foi um apreciador desta bebida.

Só então vi a vida de uma outra forma, vi a vida como eu não gostaria de viver. A vida sem o prazer de acordar e poder aproveitar para ser feliz.

Vem ser feliz agora, pois o dia passa a velhice chega e eu quero chegar num ponto onde eu possa garantir a quem estiver por perto que eu aproveitei, vivi.

IMPORTANTE: Estou feliz em saber que ele e toda a familia me permitiram conviver e aprender muito com suas ações, sua forma de encarar a vida. Ele foi quem me ensinou a trabalhar.

Muita Luz e Paz
Abraços
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3 pessoas me fizeram feliz, falta só você:

Adriana Balreira publicou o comentário número:

Adelaide,
Lendo o seu post, lembrei de um tio meu que tambem eu ia sempre passar as férias na casa dele e quem me ensinou muitas coisas, como comer verduras e legumes. Sou muito grata a ele e quando ele morreu, senti muito mas agradeci muito o tempo que pude ter com ele. Agradeci o tanto que ele me ensinou e me aturou! :))
Beijos
Adriana

Jô Turquezza publicou o comentário número:

Como você tirou do seu coração essas palavras tão bem, explicando seus sentimentos.
É assim que penso também.
Agradecer por termos alguém que nos ensinou coisas boas. E viver a vida procurando ensinar também.
Paz e luz.
Beijos.

Juni publicou o comentário número:

Vi a avó do meu marido com Alzheimer e acho que todas as preces para que o corpo descanse e a alma se eleve são necessárias.
Viver o hoje intensamente é uma lição que poucos aprendem!
Beijos...



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