Dia dos pais, Blah!

Odeio dia das crianças, odeio dia das mães, odeio dia dos pais, odeio, odeio, odeio...
Meu pai era um cara admirável, tinha uma inteligência acima do limite, e sempre que "consultado" pelos profissionais de diversas áreas, ele os auxiliava sem custo algum. Era conhecido por todos e admirado. Morreu pobre aos 57 anos, com câncer generalizado devido ao alcoolismo.
Ele era o que hoje denominamos "consultor", de agrimensores, advogados, cartorários, empresários.... e nunca recebeu por isso. O saber que tinha acumulado era resultado de muita leitura sobre tudo, e como tinha de graça dava também gratuitamente. 
Um advogado amigo dele, assinava o jornal e este era entregue em nossa casa, depois ele vinha tomar um café com meu pai e sabia do "ocorrido" no Estado e no mundo, meu pai era a memória adicional deste amigo, que também fornecia livros de direito e afins quando precisava de auxilio para uma causa (lembre em 1970/80, ou antes não tínhamos o google). Sempre muito correto, e deveras orgulhoso, não aceitava ajuda dos outros, sabia ensinar tudo o que você puder imaginar. 

Fazia um frango desossado maravilhosos, desde que tivesse alguém que colocasse a mão na massa. Sim, ele não era afeito a sujar as mãos. Mas, sabia dizer passo-a-passo como deveria ser feito, até a posição da faca na mão. Me ensinou a preparar bife de fígado e fígado acebolado de maneira fantástica (fica delicioso e ele não sujou nada). 

Devido a ser um espirito muito livre e cheio de saberes que não praticava, perdeu-se na bebida. Embora, portador de visão maravilhosa, era totalmente cego ao mal que impingia a seus familiares. Eu e meu irmão sofremos muito com ele. O engraçado é que somos 4 filhos e 2 tiveram pai presente e maravilhoso, outros 2 um pai reacionário, rancoroso e implicante. Sinto inveja do pai que minha irmã primogênita e a caçula tiveram. Sinto inveja do pai que minha filha e alguns amigos tem. 

E nessa semana vivi através de uma amiga a angustia desse bombardeio de mensagens aos pais por todas as mídias, ao saber que a filha de 11 anos encontra-se mal devido aos apelos da época, aja visto que o pai faleceu a dois anos e meio. Gente odiei mais ainda esse dia. Sabe tem umas figurinhas que o povo publica no face, tipo assim, pai se o céu permitisse visitas....
Caralho! Eu nem sei se teu pai tá no céu. Mas, vai que tu encara a viagem e dá um perdido.... 
Imagina a decepção? Viver a angustia de não poder fazer nada para reverter a situação. Prefiro que quem tá na outra dimensão, seja céu, purgatório ou inferno (depende da crença de cada um) fique lá. E quem está nesta dimensão se conforme, a vida é assim feita de términos. 

O meu término foi maravilhoso.Uma verdadeira libertação. Parei de preocupar-me e consegui viver a minha vida sem rancor algum. 

Agradeço a meu pai pelas boas coisas que tenho e sou hoje sei que devo a ele. Se ele não tivesse sido quem foi, eu não teria me revoltado e talvez tivesse traçado um caminho igual ao dele. Afinal graças a eu ter me revoltado com o que ele foi comigo que eu fiz da minha vida o que ela é hoje. Não é um mar de rosas. Mas é bem melhor do que a perspectiva de todos os amigos e familiares que nos conheceram na época. 

Caros amigos pensem como seria melhor a televisão, o rádio ou simplesmente caminhar pelas ruas, entrar nas lojas, shopping sem o apelo das datas comemorativas.... 
O paraíso! Certamente poderíamos até adquirir mais. Sou avessa a esse consumismo motivado pela "compra' ou precificação do afeto. 

Quem está ao meu redor sabe que eu demonstro amor, quando grito, brigo e reclamo. Não faço isso àqueles que me são indiferentes. Amo quando dou um abraço ou uma designação de tarefa. Amo, simples assim.

Então, não li o que os amigos publicaram no face, nem fiquei dando parabéns por essa data, não faço pelo dia das mães, não vou fazer neste né! Só dou parabéns para as mulheres da minha vida que sei são pais maravilhosos, mesmo tendo um companheiro. E àqueles pais, como meu irmão e meu marido que são pais maravilhosos que admiro muito e que são os pais que eu gostaria de ter tido.

Bora ali tocar a vida que o tempo urge.

Muita Luz e Paz!
Abraços
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5 pessoas me fizeram feliz, falta só você:

Jussara Silva publicou o comentário número:

Adelaide, vc mencionou o face e esse ano me incomodou demais a enxurrada de mensagens para os pais. Era foto e mensagem para todos os lados de pais vivos, de pais que já morreram...Enfim, não precisava tanto... Meu pai é falecido, quem me conhece já sabe. Por que encher as redes sociais de mensagens de dia dos pais? Achei meio sem noção.
Obrigada pela visita, bjos.

Jô Turquezza publicou o comentário número:

Gostei! Eu não gosto de Dia das Mães (meu filho mora a 13.000 km de distância). E acho um massacre quando as pessoas sem noção me ligam para dar parabéns ......
Acho irritante mesmo esses dias, não temos o sossego que precisamos. Também não gosto de ver tudo em volta pedindo para dar presentes, comprar isso ou aquilo.
E penso nas pessoas que não tem os entes queridos por perto e às vezes nem vivo está, enfim, como você disse .......... vida que segue ..........
Boa semana.
Beijos.

Josy publicou o comentário número:

Adelaide entendo sua revolta. Eu tive um pai maravilhoso, foi um verdadeiro pai, não tenho nada a reclamar de uma pessoa que sempre foi um porto seguro em minha vida. Já minha filha teve um pai que de pai nunca foi, pois só bebia, nos xingava, nos feria e nos deixava abaladas. Infelizmente ela não teve um pai, mas teve uma mãe que foi pai e mãe. Me separei para não vê-la sofrer mais, embora nunca tenha nos encostado as mãos, nos feria mais com palavras e atitudes. A bebida tbém lhe deu um câncer generalizado e faleceu a 2 anos.Esteja onde estiver que fique por lá. Cada um no seu lado. Belo texto amiga. Beijinhos

Juni publicou o comentário número:

Oi Adelaide, é difícil mesmo essa imposição do comércio nas datas comemorativas.
Sobre seu pai, que pena ele não ter conseguido se livrar do vício...mas a respeito das visitas no céu, eu queria sim estar ao lado de pessoas amadas que já partiram, mesmo que por alguns instantes, mas não acho que existam céu ou inferno e sim diferentes planos em que habitam indivíduos mais ou menos evoluídos. A saudade corta demais, mas como você bem disse, essa é a realidade e temos de aprender a conviver com isso.
Beijos.

Patricia Helena publicou o comentário número:

Concordo com vc Adelaide, mas nunca consegui me expressar tão perfeitamente, até pq não vivi a sua vida. Fico pensando: meus filhos não têm pai. Como vai ser? A principal caisadora de problemas vai ser a mídia. Bjs.



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