Sobre viver em tempos sombrios

Você já parou para pensar em como viviam as pessoas durante a Peste Negra, 
Iluminismo ou Segunda Guerra mundial? 

Quando cursei História lembro de um professor que afirmou "Quem vive um período Histórico, não tem plena consciência disso, (pelo menos com o nome que conhecemos hoje) são os historiadores que definem os conceitos muitos anos depois" - confesso que na época concordei com ele, mas hoje chego a conclusão que alguns tem consciência do momento e outros o negam , pelo menos essa é a impressão que tenho do ponto onde me encontro na vivência desta pandemia de ignorância, negacionismo e covid-19, tudo regado a muitos crimes institucionais.

Ao ler DECAMERÃO de Giovanni Boccaccio, livro escrito no período de 1348 a 1353 - conhecemos a história de 10 jovens, 7 mulheres e 3 homens que juntos fogem da peste que assolava Florença com destino ao campo e vão se "hospedando" em casas vazias que encontram pelo caminho, essas residências foram abandonadas por seus proprietários que viram pessoas adoecerem, morrendo logo em seguida. Então esses jovens combinam que a cada dia um deles chefiará o grupo e cada um escreverá um conto sobre cada jornada o que justifica o nome da obra "decamerão" significa em grego antigo DECA = dez + HEMERON = dias/jornada (10 jovens x 10 dias resultando em uma coletanea de 100 contos) que são a narrativa disponível de hábitos e costumes da época, todo em terceira pessoa, possui 10 narradores e mostra uma critica burguesa aos desmandos da Igreja, quer forma melhor para perceber uma sociedade em um momento sombrio?

Porque eu estou falando disso aqui?
Simples, para o período da Peste Negra - Decamerão de Giovanni Boccaccio é o único escrito,  por isso tem grande importância na história mundial e muito mais para a língua italiana que ainda não estava unificada no período. 

Já sobre as pestes que nós vivemos desde 2019, digo que agora temos tantos vídeos e escritos que ficará dificil para os futuros pesquisadores selecionarem o que realmente vale a pena usar.
Meus escritos, e teus escritos se você parar observar como "diário pessoal" são narrativas de nosso período, mostram uma fração da sociedade em que estamos inseridas (os) somos um dos 10 jovens do Decamerão (risos) temos uma forma própria de observar e vivenciar cada dia.

Eu sei e vou te contar que estou vivendo muito bem, o mais importante é que ninguém do meu grupo familiar mudou de dimensão, estamos todos saudáveis e com condições de pagar os custos fixos existenciais (luz, condomínio, agua, etc) 

Sou uma pessoa feliz POR CONVICÇÃO, mas tenho enfrentando toda essa tristeza com o coração apertado, me solidarizo a cada família que tem sofrido com o vírus e o descaso do governo e de uma parcela da sociedade. Em outros tempos vivi ao longo de 10 anos, 10 lutos e sei o quanto ver a alegria dos outros, musica alta ou festas em geral me machucavam.... 

Eu desejava DESLIGAR o mundo apenas para poder sentir aquela dor em paz. Sei que não somos todos iguais e alguns não precisam disso, mas se apenas um precisar saiba que não está recebendo e que seu sofrimento é aumentado quando ele lê algo minimizando as mortes, ironizando o vírus ou vendo amigos e familiares festejando.... Quem nunca passou por isso pode ignorar que exista isso, por esse motivo estou contando aqui, assim talvez eu consiga que apenas uma pessoa que me lê passe a entender, respeitar, sendo feliz de modo particular, privado até escondido talvez, pois essa é uma das formas mais simples de respeitar a dor do outro....Sabe não ostentar alegria em tempos sombrios é uma forma de dizer eu me importo.

De minha parte demonstro respeito não postando fotos festejado, não tenho aglomerado, mas tenho vivido plenamente como é possível, de um núcleo com mais de vinte pessoas reduzido a quatro humanos e um cachorro, minha mãe e irmãs encontro apenas na rua em espaço aberto e todo mundo usando máscara, meu irmão vejo apenas por chamada de vídeo. Cunhadas (os), sobrinhas (os)  vai demorar para ter confraternização. O importante é respeitar o próximo e se manter saudável até o próximo encontro que não tenho a menor pretenção que ocorra sem estarmos seguros.

Veja eu não estou falando que gostaria que todo mundo chorasse por mortos desconhecido, ou parassem de sorrir, ou celebrar a vida estou apenas trazendo a baila a reflexão do quanto a "sociedade do espetáculo" nos faz sofrer mais ainda nesse período.

Se você se interessou por ler DECAMERÃO clica aqui que ele já está em domínio publico, vale a leitura.

Muita Luz e Paz!
Abraços




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