Filme Ella & John - e reflexões sobre minha vida

Sinopse: Usando o antigo furgão da família, John e Ella Spencer fazem sua última viagem. De Boston, eles planejam cruzar os EUA até a famosa casa de Ernest Hemingway, nas Florida Keys, isso tudo antes que o Alzheimer dele e o câncer dela os atinjam de vez. Data de lançamento: 8 de fevereiro de 2018 Diretor: Paolo Virzì Música composta por: Carlo Virzì Autor: Michael Zadoorian Indicações: Prêmio Globo de Ouro: Melhor Atriz em Comédia ou MusicalLeão de Ouro 


Assisti esse filme disponível no Netflix. 
Essa obra vem de encontro a questionamentos que tenho me feito ultimamente que é:
"até que ponto somos realmente maestros de nossa vida?" 
Veja o casal central da história tem dois filhos adultos independentes. 
Você já parou para pensar em quanto da tua vida é você quem decide livremente?
Suas decisões dependem de o quanto isso afeta a sua família? 
E a sua família que parcela lhes cabe da própria vida se cortarem os laços?

Enquanto assistia pensei na história de minha família e vou partilhar com você, meu pai aos 56 anos amanheceu com um "caroço" próximo a mandíbula, na altura do ouvido, devia doer bastante pois ele foi sozinho ao médico, no período dos 4 filhos apenas a caçula ainda morava com nossos pais, nós já morávamos em outra cidade, visitávamos em feriados prolongados e nos reuníamos sempre no Natal pois dia 24 é aniversário de nascimento de meu pai, naquele ano tiramos férias (fazia anos que eu nem sabia o que era isso) para vê-los em meses alternados para que cada tivesse um tempo a sós com eles, já que fomos informados por mamãe que ele estava tratando uma inflamação grave.

Papai adorava dormir com massagem nas costas, e era uma pessoa que falava bastante palavrão, nós discutíamos sempre afinal os dois rapazes sempre tinham razão. Dificilmente ele discutia com a primeira filha sempre calma, já o menino sempre levava a pior na discussão. Naquele ano minha irmã quando retorna das férias conta que haviam discutido porque o médico deixou ele tomar vinho mesmo estando em tratamento, estranhei primeiro porque ele nunca discutia com ela e também pelo tratamento, mas quando eu estivesse lá entenderia melhor a história. O menino foi no mês seguinte e falou que o pai estava bem e tomando remédio todo dia conforme recomendação médica não discutiram (muito estranho). Quando eu cheguei, ele que me treinou para ser um rapaz independente foi me buscar no portão e carregou minha mala, no outro dia me acordou cedo e sentou na minha cama para contar piadas, durante o dia li a bula do remédio escondida, e quando fui fazer massagem para ele dormir perguntei:

- E aí rapaz qual é essa de estar tratando uma inflamação por tanto tempo, tomando vinho e remédio para dor?

ele respondeu:

- Puta que pariu rapaz se tu sabe só faz massagem e fica quieto! - obedeci

No outro dia conversamos enquanto eu preparava o almoço e bebíamos vinho, então ele explicou que não iria se submeter a uma cirurgia exploratória. Não nominamos a doença mas eu soube que ele sabia de quê se tratava. Morreu um tempo depois de câncer generalizado. Eu cheguei a tempo de passar a última noite com ele no hospital, pediu para fumar eu acendi e ele deu uns tragos eu que não fumava, fumei com ele o mesmo cigarro. Veja, ele escolheu o tratamento e ninguém (além de mim) o questionou. 

Quantas famílias são capazes de permitir isso? Ou, se um dia minha mãe, hoje com 83 anos apresentar uma doença terminal, será que teremos a mesma postura? Afinal respeitar a vontade do outro é uma forma de amar.

Veja nós mudamos nossas rotinas porque um de nós estava tratando uma (simples) "inflamação" (você vai dizer que nem todo filho, mas muitos o fazem isso é fato) e quando ele falou o desejo dele nós respeitamos, sim eu contei para meus irmãos que é claro não acreditaram em mim já que não havia nome da doença eles preferiram deixar para sofrer quando ele já estava internado. Eu sofri antes, durante e depois até conseguir entender que fizemos o mais importante que foi num momento já difícil que é quando o paciente tem o diagnostico de algo incurável ou degenerativo, não ficar pressionando com frases de auto ajuda e promessas de cura.

Atrelado a realidade atual - A pandemia fez minha filha e o namorado mudarem totalmente os seus hábitos e serem rigorosos com os cuidados, pois eles não queriam que eu e o companheiro de isolamento ficássemos doentes, pois ele tem o vírus da Hepatite B e deve evitar ao máximo sobrecarregar o fígado com remédios. Não sei se me fiz entender mas a vida de 3 pessoas sofrem mudanças radicais para proteger uma na família, e essa uma tem que se sujeitar a coisas que talvez ela nem quisesse para satisfazer a expectativa dos outros 3 (ele foi obrigada a sair de máscara quando ninguém usava na cidade porque nós 3 tínhamos decidido que seria assim).

Mesmo tendo me feito divagar tanto, achei o filme leve, apesar do tema, trás fotografias lindas e um certo toque divertido. Assisti num momento bom, e vou te falar, eu nem tinha lido a sinopse, vi só porque eu tinha vontade de fazer uma viagem de trailer, esse filme e o "Férias no trailer" já diminuiram o meu desejo...rsrs


Eu sei e vou te contar que muitas coisas em minha vida são movidas pelo amor ao outro, sou o tipo de pessoa que viajava 200/300 km para ir a uma consulta médica da minha mãe, apenas para que a minhas outras 2 irmãs não se sentissem sobrecarregadas (contei aqui no blog em diversas postagens). Eu deixei de trabalhar no ano de 2016 porque precisava ir aos exames médicos de minha mãe, ou ficar com ela internada em hospital para observação (isso só foi possível porque eu não era a renda principal da casa) pior era falar ao meu empregador que questionou: - mas o que ela tem? E na época a resposta era: Nada! os exames estão bons - mas precisamos descartar Alzheimer. Hoje o tratamento é para epilepsia.

Eu sei que vivo plenamente sem me pautar no outro e as vezes me dou ao luxo de sumir e viver como se não tivesse laço algum por algum tempo, desde que todos estejam bem. Porém ainda não sei até que ponto estou portando as rédeas de minha vida e trilhando o caminho que quero ou o que protege os que eu amo. Você já parou para perceber isso em sua vida?


Muita Luz e Paz!

Abraços

 



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