Setembro é o mês que precisei aprender a ser mãe
da criatura que eu pari
antes disso eu já era mãe 
da minha irmã, das minhas amigas,
de colega de trabalho em situação de violência doméstica
fui mãe de tanta gente
que quando eu mudava de emprego ou cidade
ouvia:
Vou sentir tanta falta.... 
Você é como uma mãe para mim......

Ouvir isso uma vez é uma coisa, mas várias vezes (desde os 16 anos)
merece uma boa reflexão, renderia um post com textão (risos)...

Entenda ser mãe de um bebê recém nascido
era algo que eu não planejava e 
por isso quando decidi levar a gravidez até o final
mudei vários hábitos e tentei, atraves da leitura ficar mais preparada....
Ingenuidade minha pois na pratica descobri coisas
que não existem nos manuais...
Uma das coisas que percebi de "interessantes" 
É que nas décadas passadas a maioria dos livros escritos
sobre maternidade/educação o autor é homem...
Hoje passaria quilometros desses escritos

Saiba você que a maternidade eu realizei, 
aos trancos e barrancos é bem verdade
 e se passaram mais de 20 anos, 
eu estou viva apesar de meu jogo de erros e erros
 seguidos de um ou outro acerto

As vezes eu questiono minha criatura sobre onde foi que eu acertei
feedback faz parte (risos)
Agora sou mãe de pessoa adulta e essa é mais uma modalidade
a ser apreendida empiricamente 
veja você que eu ainda estou aprendendo
Cada fase de nossas vidas são tão diferentes

Nenhum ser humano é igual por isso não existe manual que mereça nossa confiança cega, 
mesmo que algumas pessoas insistam em dizer como as pessoas deveriam ser 
- de acordo com sua régua moral - 
desconhecendo história e a situação em si, 
não devemos nunca permitir que isso possa ser fonte de sofrimento............

esse ano estamos vivendo o primeiro emprego
em outra cidade, longe de meu abraço
mas a uma ligação de distância
por isso não celebramos nosso aniversário 
mas ligamos, conversamos e enviamos boas energias e amor

Agora sigo aprendendo a ser mãe de uma pessoa adulta
como já disse,
e sou grata por essa criatura linda
ainda me permitir participar de vários momentos
e decisões importantes de sua vida

Exerço a maternidade como um experimento sempre novo
porque sei que não somos iguais,
observo as mães ao redor e uso de notas mentais 
para copiar o que gosto e está dentro daquilo que acredito
e descarto o que não corresponde a nossa realidade

Isso tudo é para contar as mães que estão vivendo os questionamentos
da maternidade ou as cobranças que a sociedade faz sobre a mulher que tem filhos
que não existe solidão nesse limbo
somos muitas
O paraíso das mães nessa dimensão não existe
é uma criação social para convencer as mulheres a terem filhos

Toda mãe tem duvidas
Toda mãe precisa aprender
Toda mãe sente solidão
Toda mãe é cobrada

a diferença está em ter uma rede de apoio ou não
e esse auxilio pode ser material ou não
É claro que ter dúvidas, ser cobrada, se sentir só
tendo casa, comida e dinheiro no banco é bem diferente 
da que não tem isso
 importa é que as mães sejam mais solidárias uma as outras

Eu uso uma rede de apoio sempre que posso, 
com as diversas mudanças as vezes essa rede era virtual
na década de 90 foi por carta e ligação telefonica
depois através do blog e circulo de amigas criados no facebook

Nesse mês de setembro queria pedir que você também faça parte disso
eu sou uma pessoa "sem vergonha de pedir ajuda" 
por isso quero te auxiliar a fazer parte da rede e beneficiar as mulheres 
que por vergonha (orgulho) estão sofrendo sem verbalizar que precisam de ajuda

* quando uma amiga comenta que precisa de emprego
e alguém comentou que tem vaga na empresa X - dê a dica
não precisa nem indicar apenas conte
*amiga está fazendo doce para fora e você quer levar um agrado 
para a secretária do teu médico - compra da amiga

 *amiga vai fazer um tratamento/estudar fora e você conhece a cidade
 ou alguém que more lá
peça dicas a pessoa dos melhores bairros e regiões da cidade

Ou seja, nem sempre a rede demanda tempo e dinheiro
as vezes é só troca de um conhecimento local.

Agora me abraça que sou a mãe com o ninho vazio porém sem vivenciar a síndrome.

Muita Luz e Paz!
Abraços






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